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Ansiedade: quando a proteção vira sofrimento

Por Luciano Santos · 11 de abril de 2024 · 5 min de leitura

Ansiedade é uma palavra que usamos para muitas coisas: o frio na barriga antes de uma apresentação, a preocupação com uma conta a pagar, a sensação de que algo ruim vai acontecer. Na clínica, o termo também nomeia um conjunto de quadros marcados por nervosismo, medo, apreensão e preocupação intensos. Entender essa diferença é o primeiro passo para cuidar dela.

Medo e ansiedade não são a mesma coisa

O medo é a resposta a uma ameaça presente e concreta: um carro que avança, um cachorro bravo. A ansiedade é a antecipação de uma ameaça futura, que pode ou não acontecer. As duas preparam o corpo para reagir, acelerando o coração, a respiração e o estado de alerta.

A ansiedade que protege

Em doses adequadas, a ansiedade é útil. Ela nos faz estudar para a prova, conferir o fogão antes de sair, preparar uma reunião importante. É uma função que protege e mobiliza.

A ansiedade que faz sofrer

O problema começa quando a ansiedade aparece com frequência e intensidade desproporcionais, diante de situações imaginadas ou que não representam perigo real. A pessoa sofre por antecipação, evita situações, tem dificuldade para relaxar e sente que perdeu o controle da própria preocupação.

  • Preocupação constante e difícil de controlar
  • Inquietação, tensão muscular e cansaço
  • Dificuldade para dormir ou sono agitado
  • Irritabilidade e dificuldade de concentração
  • Palpitações, falta de ar, suor ou tremores em algumas situações

Quando esses sinais persistem por meses e atrapalham a vida, podem indicar um Transtorno de Ansiedade Generalizada ou outro quadro ansioso, que precisa de avaliação profissional.

Por que parece que todo mundo está ansioso

O ritmo acelerado, a conexão permanente, a comparação constante nas redes sociais e a pressão por desempenho criam um ambiente que favorece a ansiedade. Adolescentes, em especial, vivem essa pressão de forma intensa, num momento da vida em que a identidade ainda está em construção.

A ansiedade também fala de nós. Escutá-la, em vez de apenas silenciá-la, abre caminho para entender o que ela está tentando dizer.

Como a psicoterapia ajuda

Na psicanálise, a ansiedade é escutada como um sinal que tem relação com a história e os conflitos de cada pessoa. Falar sobre ela permite dar sentido ao que parecia sem explicação. Na terapia cognitivo-comportamental, o foco está em identificar pensamentos e comportamentos que alimentam o ciclo ansioso e em praticar novas formas de responder. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico complementa o tratamento.

Quando procurar ajuda

Se você se reconhece nos sinais descritos, se a preocupação ocupa grande parte do seu dia ou se tem evitado situações por causa dela, vale procurar um profissional. Não é preciso esperar ficar insuportável. Na DHVida, você pode começar pela psicoterapia ou por uma avaliação psiquiátrica, e a equipe ajuda a definir o melhor caminho.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação com um profissional de saúde. Se você está em sofrimento intenso, ligue 188 (CVV).

Quer conversar sobre isso?

Se você se identificou com o texto, uma avaliação profissional pode ajudar a entender o que está acontecendo e quais caminhos existem.